Cortella defende que não existe imediatismo no aprendizado

“Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar”. Foi com o trecho da canção Trem das Onze, do compositor Adorinan Barbosa, que Mário Sérgio Cortella abriu a palestra do projeto Sigma+Diálogos. Para um dos grandes pensadores brasileiros, a letra da música é um claro retrato do estado de vigília. “A mãe não dorme enquanto o filho não chega em casa, não chega em dedicação, não chega na saúde…”.

Segundo o filósofo, o professor desfruta do mesmo sentimento. “Ele não dorme enquanto o aluno não chega ao conhecimento”, afirma. Para Cortella, a educação de crianças e jovens precisa ser um trabalho de parceria entre a família e a escola.

Com o tema Gestão do conhecimento: um desafio necessário, a palestra, que reuniu mais de 1.500 pessoas entre pais, alunos e professores, tratou, também, da importância da humildade para continuar aprendendo sempre.  Segundo Cortella, a educação exige esforço e dedicação. “Não existe instantaneidade do conhecimento. Para escrever 37 livros, eu li 10 mil obras”, afirma. E deu outro exemplo: “Bill Gates tirou 1.590 no teste do Enem norte-americano, que valia 1.600 pontos. Ele fez quatro anos de Harvard antes de abandonar a universidade. Não era qualquer faculdade da esquina”, afirma.

Segundo o professor, esforço reduzido tem como resultado a mediocridade. “Ser medíocre é uma questão de escolha. Podendo fazer o melhor, a pessoa se contenta com o mínimo”, afirma.

Cortella acredita que a escola que trabalha a educação integral do aluno, e não apenas ensina a fazer exames de vestibular, contribui para a formação de um indivíduo mais autônomo e capaz de fazer melhores escolhas para a sua vida e para a dos outros. “O vestibular deve ser visto como referência e não dominação. A vida é uma maratona e não apenas uma prova de curta distância”, finaliza.

Filósofo e doutor em Educação, Mário Sérgio Cortella foi secretário Municipal de Educação em São Paulo, entre 1991 e 1992. Ele é autor de vários livros, como A escola e o conhecimento (Cortez); Nos labirintos da moral, com Yves de La Taille (Papirus); Não espere pelo epitáfio: provocações filosóficas (Vozes); e Qual é a tua obra? Inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética (Vozes), entre outros.