Educação Infantil: as crianças como protagonistas

Colocar a mão na massa e viver a experiência esses são alguns dos objetivos da nova Educação Infantil, de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aprovada em 2017. Apesar das escolas de todo o Brasil terem um período para se adaptar e começar a seguir o novo documento, o Sigma já vem desenvolvendo um trabalho com as crianças que desconstrói o pensamento de que o aluno tem apenas que reproduzir o que é visto em sala de aula.

Segundo a coordenadora da Educação Infantil, da unidade da 606 Norte, Rosa Cavalcante, a Base tem como objetivo promover o desenvolvimento das crianças de zero a cinco anos de forma integral. “O documento é um plano de voo para as escolas. A partir dele nós planejamos contextos de aprendizagens para garantimos o mínimo comum, para que essas crianças tenham os mesmos estímulos, ofertas e possibilidades”, comenta. As faixas etárias da Base estão dispostas em três fases: bebês (0 a 1 ano e 6 meses); crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses); e crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses).

A BNCC traz sugestões de habilidades, atitudes e valores que precisam ser trabalhadas em cada faixa etária, de acordo com os Campos de Experiência. Eles são: “Eu, o outro e o nós”; “Corpo, gestos e movimentos”; “Traços, sons, cores e formas”; “Escuta, fala, pensamento e imaginação” e “Espaço, tempo, quantidade, relações e transformações”. Os campos – que estão interligados – desenvolvem competências como pensamento crítico, criatividade, comunicação, colaboração, autonomia, responsabilidade e outros. “São habilidades condizentes com cada idade e com um grau de dificuldade a mais, quando a criança já é um pouco mais velha e com mais maturidade”, afirma.

Rosa conta que o educador da Educação Infantil precisou reinventar-se. Ele não é apenas uma pessoa que fala e que transmite o que sabe. As crianças também já não aceitam mais respostas prontas. Estão sempre transbordando de “porquês”. Cada vez mais o educador da infância precisa desenvolver uma escuta atenta e traçar planos em conjunto. Ele tornou-se um agente que elabora contextos e oportunidades de aprendizagem para os pequenos. “E esse aprendizado se dá de forma individual. Cada criança internaliza a experiência de um jeito, de acordo com a sua vivência e seu contexto social”, afirma.

Mão na massa

Com foco em desenvolver o potencial criativo, instigar o uso de expressões artísticas, descobrir novas possibilidades e explorar os espaços, os alunos desde o início do ano letivo já estão realizando atividades que englobam mais de um Campo de Experiência simultaneamente. As crianças já tiveram aulas sobre diversidade, empatia, aspectos da natureza, como identificar o som do silêncio, representar através de desenhos o cheiro de algo, sumir com o medo entre outros. “A escola tem trabalhado muito com os alunos a questão do sentimento e da experiência. Para que eles possam se posicionar em relação ao que estão sentindo”, comenta a Áurea Bartoli, diretora da unidade da 606 Norte.

Além disso, os alunos também realizaram atividades inspiradas em obras de artistas renomados como Yayoi Kusama, Wassily Kandinsky e Jackson Pollock. Os projetos, segundo Áurea, são documentados pelos professores, mostrando como foi o momento sob o ponto de vista dos próprios alunos. “Esse registro é um modo das crianças perceberem que a opinião delas está sendo reconhecida e exposta para todos os colegas”, afirma.

Pais e professores

A coordenadora aponta que o Sigma tem realizado um trabalho diferenciado com a equipe pedagógica para que eles saibam e entendam o que a Base está propondo. Durante cursos de formações, os professores e colaboradores realizam algumas atividades e discussões com os conceitos da BNCC. “Estudar e compreender a Base é um modo de criar oportunidades de aprendizagem que façam sentido para os educadores e para as crianças. Assim, criamos uma linha curricular não só alinhada à BNCC como também aos nossos objetivos, desejos e sonhos enquanto escola”.

Os pais e responsáveis também participam de atividades para entender melhor o que é a BNCC, os Campos de Experiência e como o Sigma tem trabalhado os temas com os pequenos. Em um dos exercícios realizados, os pais receberam fotos das crianças participando de diversos projetos e tiveram que identificar o Campo de Experiência referente à atividade. “Foi um momento de desconstrução de paradigmas, eles perceberam que tudo estava interligado, pois havia fotos que cabiam em dois ou mais campos”, conclui.