Colégio Sigma promove bate-papo sobre racismo e relações raciais

“Para discutir o tema racismo é preciso assumir que ele existe e que toda a sociedade faz parte deste fenômeno social”, afirmou o psiquiatra e psicoterapeuta Lucas Mendes de Oliveira, durante a 1ª edição online do Sigma Saberes. “O racismo é uma instituição cultural que dá um desvalor a tudo que vem da população negra”, aponta. “Todos nós somos racistas em algum ponto, porque ele faz parte da nossa vivência e contexto social e para reverter isso precisamos refletir e transformar o nosso pensamento”.

O bate-papo, com o tema “Preconceito racial: um olhar psicanalítico”, reuniu mais de 200 pessoas online no dia 17 de junho. O médico Lucas Mendes, ex-aluno do Colégio Sigma, conversou com os professores Robson Caetano, de Geografia, e Eli Guimarães, Supervisor Pedagógico do Ensino Médio, e propôs uma reflexão e análise sobre a estruturação sociocultural do racismo na sociedade.

O especialista explicou que a mente de todos funciona como uma “maquete”, que vai se formando e se transformando de acordo com as vivências de cada pessoa. “É como Game of Thrones, a história da vida vai acontecendo e o cenário aumentando e novos personagens aparecendo”, brinca. Segundo Lucas, eles tomam proporções maiores ou menores conforme a interação, tanto em intensidade quanto em quantidade e por isso que os pais, geralmente, são o ponto principal dessa formação. “Eles são as duas pessoas com as quais a gente tem a maior intensidade de afeto e o maior tempo de exposição de relação”.

Lucas aponta que quando as pessoas interagem com o mundo e têm contato com algo que ainda desconhecem, a mente tenta encontrar um paralelo para reagir à aquela situação. Pessoas mais flexíveis conseguem reconhecer as diferenças e as menos flexíveis reagem e enxergam apenas o que identificam como certo. “O racismo faz parte da nossa maquete, mais ou menos em alguns casos, e por isso é preciso refletir sobre ele e não negar que existe”, afirma. “É importante dar nome a ele e entender que todos participamos disso”.

Para o médico, como o racismo faz parte da maquete mental, talvez não seja possível resolvê-lo, mas é possível mudar algumas coisas nela e expor a coisas desconhecidas. “Como autores negros que falam sobre racismo e ouvir o que essas pessoas estão falando. Entender o que elas estão dizendo. Existem leituras claras didáticas e simples que podem ajudar a ampliar a escuta e a maquete mental”, conta.

Representatividade importa?  Para Lucas ela é mais do que necessária. “Ter pessoas negras em mais lugares de destaque, ter uma diversidade maior, que vale para todas as minorias, é uma das formas de mudar a maquete”, afirma.

Ao final do bate papo Lucas indicou alguns livros e podcasts para quem está em busca de mais informação sobre o assunto. São eles:

Livros:

Pequeno Manual Antirracista (2019) – Djamila Ribeiro

Lugar de Fala (2017) – Djamila Ribeiro

O Racismo e o Negro no Brasil: Questões para a psicanálise (2017) – Noemi Moritz Kon, Maria Lúcia da Silva e Cristine Curi Abud

Podcasts:

Mamilos – Resistência – Negra: Abolição e o presente (5/6/2020)

Fronteiras Invisíveis do Futebol – Episódio 56 (13/5/2018) – 130 anos da Abolição da Escravatura

Alessandro Garcia – Negro da Semana

Sigma Saberes

O Sigma Saberes é um projeto que promove um espaço de fomento ao debate e reflexão de temas prioritariamente acerca do mundo contemporâneo. Os alunos e a comunidade escolar são convidados a participarem de rodas de conversa com especialistas em diversos assuntos.