Professores se reinventam para dar aulas durante a quarentena

O isolamento social recomendado como uma forma de conter o novo coronavírus ocasionou uma mudança radical no dia a dia dos professores. Em poucos dias os profissionais tiveram que se reinventar e se adaptar a uma nova rotina para entregar de forma remota um ensino de qualidade para os alunos.  Para o professor de Geografia do Colégio Sigma, Flávio Bueno, o primeiro passo foi reformular a dinâmica da aula no ponto de vista visual e aprender a usar essa linguagem que é tão essencial nesse momento. “Precisamos ter a noção que a imagem, no sentido amplo, é tudo. Nós temos que vender a curiosidade para os alunos mostrando coisas atrativas”, aponta.

O professor comenta que também foi preciso simplificar os discursos e as aulas. “Como  não conseguimos ver os alunos não sabemos se eles estão entendendo ou se estão fazendo gestos de positivo e negativo”, aponta. “Nesse sentido menos é mais. É preciso ter uma fala mais assertiva. É melhor trazer uma aula mais ampla e simples, do que uma muito densa e com muito conteúdo”, ressalta. Flávio aponta que é importante que os alunos procurem pelos plantões de dúvidas no Plurall. “Os professores estão disponíveis para ajudar em casos de dificuldade com o conteúdo e exercícios propostos”.

Para o professor, as ferramentas de áudio e vídeo têm sido as grandes aliadas durante esse momento. “Nós usamos o PowerPoint para apresentar o conteúdo, mas também indicamos podcasts, canais no Youtube e até músicas com temas relacionados”, aponta. “Além disso, busco montar organogramas de estudo nos programas de edição de imagem e compartilhar com eles”.

Já para a coordenadora de Química da escola, Juliana Gaspar, a situação, no início, a deixou preocupada, porém com o passar dos dias se tornou algo divertido e prazeroso. “Tenho buscado olhar o lado positivo da situação. Estou tendo a oportunidade de aprender coisas novas para conseguir passar um conteúdo completo para os alunos”, comenta.

Juliana conta que sempre teve vontade de aprender a mexer em diversos aplicativos para trazer novos recursos para a sala de aula e que a necessidade a ajudou a dar o “empurrãozinho” que faltava. “A tecnologia sempre esteve ao nosso dispor, mas nunca a usamos dessa forma. Hoje os meus alunos me chamam de ‘Professora hi-tech’, todo dia apareço com uma novidade para eles e até investi em equipamentos e aplicativos”.

A professora aponta que o retorno dos alunos têm sido muito positivo e que tenta diminuir a distância sempre os incentivando a participarem das aulas.  “Busco ensinar da mesma forma que faria se fosse aula presencial para os alunos saberem que nós estamos ali à disposição deles”, aponta.

Para os professores essas mudanças na dinâmica das aulas vieram para ficar. “A pandemia só antecipou esse processo”, comenta o professor de Geografia. “Os alunos sempre demandaram por aulas mais dinâmicas e interativas que saíssem do comum de só receber o conteúdo”, completa Juliana. É consenso também que as aulas presenciais são fundamentais. “Faz parte da construção social desses jovens. O contato e a interação são necessários”, finaliza Flávio.